ENCONTRADA NO LIXO, CRIANÇA ANGOLANA BUSCA TRATAMENTO EM RIO PRETO

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Encontrada no lixo, criança angolana busca tratamento em Rio Preto

Encontrada no lixo, criança angolana busca tratamento em Rio Preto

Em novembro, a vida de uma criança angolana, que atualmente vive em São José do Rio Preto (SP), ganhará um novo capítulo. Desde seu nascimento, há um ano e três meses, Jéssica Unguica vivencia momentos incomuns para uma criança. Ela tem malformação congênita e foi encontrada em um lixão, em Angola. Mãe e filha estão no Brasil há três meses para fazer um tratamento que dê melhores condições para a menina.

 

Jéssica foi abandonada em um lixão com poucos dias de vida em Cabinda, no norte da Angola. Depois de ficar dois dias no lixo, ela foi resgatada e levada para um hospital, onde seu destino cruzou com o da policial Elisa Ernesto Unguica, de 32 anos, também de Angola, que a adotou. “Sempre que ia trabalhar na maternidade perguntava como ela estava e quando teria alta. Quando a vi pela primeira vez fiquei emocionada e pensei: ‘Será?” O amor falou mais alto. Geralmente, as crianças que nascem com deficiência física são rejeitadas pelos pais, ficam no hospital e ninguém quer levar. Quando soube que ela teria alta, fui até ao médico disse: ‘Doutor, vim levar minha nenê para casa’ e a levei”, conta. Segundo Elisa, quando encontraram Jéssica achavam que ela já estava morta, mas um rapaz chegou perto e percebeu que, apesar das inúmeras feridas e bichos que a circundavam, ela estava viva. Assim, ela foi levada até a maternidade.

 

Jéssica teve malformação congênita e o pé esquerdo não se desenvolveu como deveria ainda dentro da barriga da mãe. A mão direita também tem uma deformidade. Após a adoção, a policial decidiu que iria atrás de uma prótese para a filha. Depois de muito procurar por tratamento em São Paulo, ela descobriu que poderia ter o tratamento custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital de Base de Rio Preto. Mãe e filha já estão há três meses na cidade fazendo os exames para o tratamento.

 

O primeiro médico que atendeu a menina foi o ortopedista Helencar Ignácio, de Rio Preto, que ficou assustado com o que viu. “Quando vi a malformação percebi que era muito grave, porque são resquícios de tornozelo e pé, que não têm a mínima chance de ficarem funcionais nas atividades. Por isso, a melhor opção é fazer amputação um pouco acima desta deformidade para ter um joelho totalmente funcional e assim colocar uma prótese para ter uma adaptação o mais rápido possível, já que é mais fácil fazer esta adaptação em uma criança, do quem em um adulto”, diz.

 

O cirurgião vascular José Maria Pereira de Godoy diz que os médicos se reuniram e se programaram para que a menina passe por três ou quatro cirurgias. “A primeira será a amputação do membro inferior para a readaptação com prótese, já que durante a vida intrauterina ela já teve parte dele amputado. As outras três cirurgias serão adaptadas de acordo com as etapas do tratamento, mas ela vai ficar boa, conseguirá andar e terá uma vida normal”, afirma.

 

Como o tratamento no Brasil ainda vai demorar, as duas contam com a ajuda de pessoas que conheceram no hospital, como o empresário Albert Alves que as ajuda. “Esse ano ganhei o presente de conhecer a Elisa, uma mulher abençoada por tudo o que fez para a Jéssica. Fiquei mais feliz ainda de ter conhecido a Jéssica, essa guerreira. Cada um faz sua parte e está dando tudo certo”, diz. A Jéssica também tem sido acompanhada por uma equipe multidisciplinar na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) em Rio Preto, já que as terapias ocupacionais também estimulam o desenvolvimento da menina.

 

As fisioterapias são importantes para o fortalecimento e adaptação da prótese, que ainda vai vir. A terapeuta Rafaela Tirintan Cardim fala que a ideia do trabalho realizado com a pequena é prepará-la para a vida. “A gente trabalha para que ela tenha mais organização tanto para os movimentos quanto para o brincar. Assim como trabalhamos para que ela aceite melhor todos os procedimentos que virão”, diz Rafaela. Até o fim do tratamento médico, mãe e filha devem ficar um bom tempo em Rio Preto. “Só tenho a agradecer porque o povo brasileiro é muito acolhedor”, diz a policial angolana. De sorriso em sorriso, Elisa e Jéssica constroem uma nova história e a menina encontrada no lixo tem reciclado a esperança de um mundo mais humano.

 

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